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E você nem tentou

Eu sei, você diz que não é possível. Eu sei, você acha mesmo que não é possível. Eu sei, você acredita que apenas em situação perfeitas e, portanto inexistentes, isto poderia dar certo. É, disso eu sei. Da outra coisa é que não sei. Calma, você não está me entendendo, né? Pois bem, você me diz que não dará certo e eu sei o porquê você me diz, conheço todos os pontos repetidos por aí, sabe bem que guardo discurso repetido e o quanto fujo dele, mas olha, a gente não sabe o que realmente aconteceria e sabe por quê? Porque você nem tentou e quando a gente não tenta as possibilidades de dar certo são mesmo 0. Isabela C. Santos

Acalmou

De repente parei e olhei para o céu: parecia que ia chover.  Senti a brisa fria, respirei o ar fresco.  O dia estava apenas começando, mas com aquela visão tudo ia muito bem.  Foi o momento de pausa em meio à correria que acalmou: respirei.  Um olhar. Isabela C. Santos

Assim

Estava refletindo sobre as coisas que me constituíram ao longo da vida e o quanto isto reflete na professora que desejo ser quando finalmente me formar. A conclusão meu bem, é que se as cores fossem possibilidades de experiências e conhecimento de si e do mundo em que vivemos, eu como professora gostaria de ser assim: E valorizar cada experiência minha e dos meus alunos, sabendo que na vida há muito para fazer e conhecer. Isabela C. Santos

Lá fora

Aqui dentro eu me arrumo no sofá, com coisas a fazer, sabendo que a noite será longa. Lá fora, o ar está úmido e gelado; a chuva cai.  O som da chuva sempre me encantou, sempre tornou mais gostosa a minha hora de dormir, aqui dentro.  Aqui dentro a chuva é o som das gotas no telhado. Lá fora é diferente, a chuva não é somente o som das gotas no telhado e o cheiro da terra e do asfalto molhado. Lá fora a chuva é água, e a água, costuma dizer aquele tio da piada do "é pá vê ou pá cumê", é molhada.  Aqui dentro da minha caverna com energia elétrica, telefone, gás e água encanada, a minha chuva é completamente diferente da chuva daquela pessoa que está logo ali, lá fora. Isabela C. Santos

Mais fácil não querer

Querer traz por si só o risco da frustração, o risco de não conseguir. Seria realmente bem mais fácil não querer. Então eu digo: mais fácil e mais seguro é mesmo não querer. Pode ser mais fácil, mas nem sempre o mais fácil traz bons resultados, não é? Estão aqui velhos conhecidos nossos para comprovar: Chapeuzinho Vermelho e os Porquinhos (não os três, apenas dois, você sabe o porquê). O mais fácil pode trazer armadilhas, fazer perder o encanto.  Querer é um encanto. O querer nos move. O querer nos faz enfrentar sentimentos, situações, lidar com diversas questões. O querer dá trabalho, não é fácil, mas nos faz pensar, traz para nós não apenas frustrações, mas sentir a vida. E ao vivermos somos tocados, sentimos. Mas o não querer, é passar pela vida sem senti-la. Isabela C. Santos

Louça acumulada

Uma pequena anotação encontrada em um dos meus cadernos com alguns toques atuais. E naquela noite lavei a louça diversas vezes. A louça que naquela casa nunca se acumulara sobre o escorredor formava uma pequena montanha. A louça estava acumulando. Era ele quem secava a louça enquanto ela ou algum outro alguém lavava. A louça não esperava: ele a secava e guardava imediatamente. Meu avô não estava lá e não iria voltar. Eu não mais o veria secar a louça e me perguntar se eu queria café. A saudade iria nos acompanhar, eu sabia, porque ela já estava ali, junto com a dor.  Há quatro anos a louça espera um pouquinho antes de ser guardada. Isabela Costa Santos

Sem saber

    Sem saber o bem que me faz aquele senhor toca seu violão naquele mesmo local durante vários dias da semana. Sem saber quem sou aquele senhor me faz sorrir e gostar ainda mais de viver como vivo.  Sem saber que passo por lá, ao tocar e cantar aquelas velhas músicas aquele senhor me enche de alegria. E sem saber o nome daquele senhor desejo-lhe as melhores coisas da vida a cada vez que ouço sua voz e passo a sorrir no meio da correria. Às vezes é assim que fazemos a diferença na vida das pessoas: sem saber . Isabela C. Santos