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Mostrando postagens com o rótulo Diário

Nós andamos por aí

Andamos pelas calçadas, atravessamos as ruas, reparamos nos carros e nos cachorros pelo caminho. Vimos os passarinhos, trocamos carinhos e repetimos palavras sorrindo. E andando, acenamos! Acenamos para as casas, plantas, pessoas e bichinhos.  Nós andamos por aí e atravessamos o tempo aproveitando o nosso momento feito presente divino. Isabela C. Santos  

"Chá"?

- Chá, chá! - dizia ele. - O que é "chá", meu amor? Mostra para a mamãe! - ela deu sua mão a ele, para que a guiasse como tantas outras vezes, mas chegando à cozinha e olhando ao redor, falhou. - Chá, chá! - continuava dizendo o pequeno, agora ao seu pai que, intrigado, observava o menino arrastar a cadeira para a cozinha. - "Chá"? - perguntou o pai, mais uma vez, enquanto o menino subia na cadeira para alcançar a bancada. - Chá! Chá! - exclamava o menino, enquanto retirava algumas bolachas de um pacote e colocava-as em um pequeno pote. Nem sempre as pessoas entendem tudo o que queremos dizer, embora muitas vezes as coisas nos pareçam tão claras. Isabela C. Santos

Piscina de amor

Você cochilou agarrado no meu pijama, acordou e me chamou mexendo nos meus cabelos. Eu me virei, você sorriu e se aninhou perfeitamente em mim e eu respirei sentindo o perfume dos teus cabelos, sentindo-me em um daqueles momentos em que parecemos estar submersos em amor. Seu cheiro é amor, seu toque. O sorriso tímido, a risada banguela, as palavras sendo vagarosamente construídas nos teus lábios, os passos engraçados, os experimentos ousados... Tudo isso me envolve nesta piscina de amor. O amor mais puro, profundo e ao mesmo tempo dolorido. O amor que nasce do cuidado, da renúncia, da responsabilidade, da necessidade. O amor construído dia a dia enquanto você ainda nem se deu conta de quem é eu estou me reavaliando, reinventando, descobrindo que com você posso ter a força para ser quem você precisar que eu seja. E o mais puro amor evidencia-se na gratidão de tê-lo aqui, junto a mim. Isabela C. Santos

Pode ser?

Você viu quando segurei os teus cabelos? Você sentiu quando acariciei as suas costas? Percebeu como me aninhei junto ao teu corpo, como um lugar perfeito e aconchegante logo depois de mamar? Você ouviu o suspiro que dei enquanto dormia? Você observou os furinhos da minha mãozinha enquanto segurava o seu dedo e agarrava a sua blusa? Você viu o sorriso que dei enquanto te olhava da cadeirinha? Parece com aquele sorriso de quando você me dá bom dia.  Você sentiu o cheirinho dos meus cabelos e a textura da minha pele?  Olha, mamãe.  Escuta minha risada, guarda o meu sorriso, registra a sensação de tocar a minha pele tão macia e de me ter pequenino em teus braços. Eu vou crescer, mamãe. Meus pés ficarão bem maiores, minha risada irá mudar e eu terei muito o que admirar.  Aproveita, mamãe.  Sabe, você tem uma coisinha colorida e iluminada nas mãos, parece tão legal quanto o meu mordedor, mas às vezes te olho e você não me vê, te toco e você nem perceb...

Lembrarei de você todos os dias e ainda mais nesta data

Essa data. Sinceramente, nem é a data, são esses dias, antes e depois dessa data. Sempre me recordo de como foi tudo aquilo e do que senti. Apesar da dor ter dado lugar a saudade e a gratidão, esse ano me doeu por você não estar presente em tantas mudanças, tantas conquistas. Queria saber qual apelido você daria ao meu marido e ao meu filho, queria saber o que você diria no meu casamento, queria saber se você gostaria de ter um bisneto com o seu nome. Queria uma foto de vocês dois juntos, assim como nós temos uma foto. Mas é a vida, não é? Pra você essa questão sempre foi prática (ao menos aparentemente). Só queria que você estivesse vivendo tudo isso com a gente, mas também acredito que tudo tem uma hora e uma razão de ser, apesar de saber que essa vontade de te ter aqui disparando palavras rápidas de nervoso, assistindo televisão e fazendo ovos mexidos com farofa nunca vai passar. Também sei que sempre será assim: lembrarei de você todos os dias e ainda mais nesta data . Isabela ...

O dia de natal chegou

Então o dia de natal chegou. Depois de muito te espiar, de te sentir, de tentar imaginar o seu rostinho e não conseguir, finalmente, o dia do seu nascimento chegou. E foi de uma hora para outra, sem sinais perceptíveis. Achei que seria um dia normal, mas não foi. Acho que é assim para muitas famílias, mas meu filho, neste momento me sinto única e especial por ter você, esse serzinho tão amável, em meus braços.  Dizem que a maternidade é muito romantizada e de fato é, mas em busca da desromantização tenho visto não a apresentação de dois lados, mas um processo onde as dificuldades são reforçadas e as coisas boas ignoradas.  Disseram-me que eu iria querer xingar teu pai: mentira, meu filho. Não iria querer xingar quem também teve papel fundamental para eu estar ali, para você existir. Disseram que meus seios iriam doer por conta da amamentação e, meu filho, mais uma vez, dói sim. Mesmo depois que você passou a abrir esse bocão lindo e fazer a pega correta, continua doen...

8 anos

Em oito anos muita coisa pode mudar: o modo de ver a vida, o modo de falar sobre a vida, os assuntos relevantes, as pessoas importantes, os relacionamentos, o modo como nos colocamos diante dos outros, a visão sobre nós mesmos, o conhecimento que possuímos sobre nossos sentimentos... E isso é só o começo. Em oito anos podemos passar por muitas reviravoltas, ou simplesmente (com muita luta), seguir nossos planos. Podemos, quase que de repente, dar-nos conta do que queremos para nossas vidas e nos ver em um lugar que jamais sonhamos. Talvez o novo lugar contribua para que mudemos a nossa visão de mundo, force-nos a sair da zona de conforto e quebrar um muro para podermos falar com os outros. Pode ser que "os outros" tornem-se "amigos". Em oito anos, as reticências podem sumir e dar lugar ao nome do amor da sua vida. Pode ser que, coincidentemente, seja aquele seu amigo de infância. Amigo que antes a timidez não permitia nem mesmo chegar perto. Talvez os ...

Esta data

Esta data sempre me trará lembranças daquela noite e essas lembranças sempre me trarão a sensação de que foi ontem que tudo aconteceu. Datas têm o poder de nos fazer lembrar e as lembranças nos transportam no tempo. Eu sei, tudo muda, a vida segue. O modo como lidamos com o que sentimos também muda e as emoções que determinadas lembranças nos trazem também. Antes era apenas dor, a dor virou saudade, a saudade virou amor e gratidão. Tem coisa melhor do que sentir amor por alguém? Do que ser grato por ter sido tocado por uma vida? Eu sei, queremos eternizar tudo o que é bom, queremos prender, jamais deixar partir, mas isto não está em nossas mãos e apesar de não podermos segurar em nossas mãos aquilo que não queremos perder, depois de um tempo o que fica é a alegria de poder ao menos ter tido a presença de algo tão importante em nossas vidas. Isabela C. Santos  

Quando o simples não é mais tão simples

- Você pode ir embora, eu vou sozinha de ônibus. Esses daqui têm o piso baixinho, não têm degrau. Essa é apenas a primeira parte, sempre que concordo em voltarmos de ônibus ela diz até passar o ponto daquela velha rua que "se a gente quiser dá pra descer logo ali e andar uns dois quarteirões só para comprar umas coisinhas, não anda muito, é rapidinho". Não é rapidinho, anda muito, as pernas não aguentam tanto, a volta para a casa é longa e ela dificilmente descansa quando chega porque "tem que fazer o serviço de casa". Descansar, de onde ela vem, é entregar os pontos, dizer que está muito ruim. A beleza da rotina chega a doer quando ela se torna apenas uma lembrança distante, quando aquilo que era tão simples já não pode ser feito com a mesma facilidade, quando nos damos conta de que a vida muda. Sempre me pergunto o quão difícil é ter alguém o tempo todo ao nosso lado e ao mesmo tempo não ter; desejar a independência, mas também o cuidado; negociar com aqu...

Um momento

Praia do Engenho, Ilha Anchieta - SP     Viajei para belos lugares. Minha alma foi tomada por profunda paz e gratidão. Meus olhos foram encantados por tudo aquilo que avistaram ao redor. Tive vontade de não mais sair dali, de te trazer para o meu lado e poder dividir aquele sentimento de quando somos surpreendidos por tamanha beleza. Quis que a vida fosse somente coisas lindas como as que estava vendo e guardei aquele momento em minha memória com a vontade de revivê-lo, mesmo sabendo que não poderia,  pois nada do que vivemos se repete, seja bom ou ruim, cada experiência é única pelo que é. Isabela C. Santos

Percebi mudanças

Se esta não é sua primeira visita aqui no blog já deve ter observado que falo muito sobre mudança; pois é, isso vem me marcando. As coisas mudam, é verdade. Em parte porque nós as fazemos mudar, afinal, mudar é um ato de coragem, ou melhor, uma sequência de pequenos atos de coragem, mas há mudanças que superam nossas mãos, vão além de nós. Neste último semestre de faculdade me encontrei em meus dois últimos estágios e, como se não fosse suficiente serem os últimos, escolhi duas escolas importantes para mim e de grande significado para a minha formação pessoal: as escolas em que estudei anteriormente. Voltei, em outra posição, as coisas mudaram. Anos atrás estava longe da sala dos professores, conversando com os colegas na hora do intervalo, sorrindo levemente para as professoras de longe. Agora as crianças me abraçavam e me perguntavam quando voltaria na sala delas, eu recebia abraços e tomava chá com os professores. Estava em uma posição intermediária: nem aluna como...

Não perca

Reinvente-se, mude. Pense em novos planos, novos caminhos, novos sonhos. Conheça lugares, pessoas, pontos de vista: viva. Mas não se esqueça de quem você é, daqueles que te trouxeram até aqui, das coisas que te fizeram ser assim, do jeito que é, e ao mesmo tempo também ajudaram a desejar certas mudanças. Mas o novo não surge do nada, não nega completamente o que havia antes, pelo contrário, toma o que já existia como base para criação. Reinvente-se, mude, mas nunca perca a sua essência, aquilo que te faz ser quem é. Isabela C. Santos

Nem sempre

Talvez eu nunca compreenda de fato como o início do ano, as confraternizações, as viagens e os novos lugares podem nos dar essa sensação de recomeço, de esperança. Talvez eu não compreenda exatamente como as pausas podem nos fazer continuar. Talvez eu não entenda com detalhe muitas coisas, mas meu bem, talvez não seja necessário compreender cada detalhe para a vida fazer sentido. A beleza de uma árvore não deixa de existir porque não sei ao certo como ela se formou, tampouco um morango deixa de ser saboroso pela mesma razão. Nem sempre é preciso conhecer os detalhes. Nem sempre. Isabela C. Santos

E você nem tentou

Eu sei, você diz que não é possível. Eu sei, você acha mesmo que não é possível. Eu sei, você acredita que apenas em situação perfeitas e, portanto inexistentes, isto poderia dar certo. É, disso eu sei. Da outra coisa é que não sei. Calma, você não está me entendendo, né? Pois bem, você me diz que não dará certo e eu sei o porquê você me diz, conheço todos os pontos repetidos por aí, sabe bem que guardo discurso repetido e o quanto fujo dele, mas olha, a gente não sabe o que realmente aconteceria e sabe por quê? Porque você nem tentou e quando a gente não tenta as possibilidades de dar certo são mesmo 0. Isabela C. Santos

Acalmou

De repente parei e olhei para o céu: parecia que ia chover.  Senti a brisa fria, respirei o ar fresco.  O dia estava apenas começando, mas com aquela visão tudo ia muito bem.  Foi o momento de pausa em meio à correria que acalmou: respirei.  Um olhar. Isabela C. Santos

Assim

Estava refletindo sobre as coisas que me constituíram ao longo da vida e o quanto isto reflete na professora que desejo ser quando finalmente me formar. A conclusão meu bem, é que se as cores fossem possibilidades de experiências e conhecimento de si e do mundo em que vivemos, eu como professora gostaria de ser assim: E valorizar cada experiência minha e dos meus alunos, sabendo que na vida há muito para fazer e conhecer. Isabela C. Santos

Lá fora

Aqui dentro eu me arrumo no sofá, com coisas a fazer, sabendo que a noite será longa. Lá fora, o ar está úmido e gelado; a chuva cai.  O som da chuva sempre me encantou, sempre tornou mais gostosa a minha hora de dormir, aqui dentro.  Aqui dentro a chuva é o som das gotas no telhado. Lá fora é diferente, a chuva não é somente o som das gotas no telhado e o cheiro da terra e do asfalto molhado. Lá fora a chuva é água, e a água, costuma dizer aquele tio da piada do "é pá vê ou pá cumê", é molhada.  Aqui dentro da minha caverna com energia elétrica, telefone, gás e água encanada, a minha chuva é completamente diferente da chuva daquela pessoa que está logo ali, lá fora. Isabela C. Santos

Louça acumulada

Uma pequena anotação encontrada em um dos meus cadernos com alguns toques atuais. E naquela noite lavei a louça diversas vezes. A louça que naquela casa nunca se acumulara sobre o escorredor formava uma pequena montanha. A louça estava acumulando. Era ele quem secava a louça enquanto ela ou algum outro alguém lavava. A louça não esperava: ele a secava e guardava imediatamente. Meu avô não estava lá e não iria voltar. Eu não mais o veria secar a louça e me perguntar se eu queria café. A saudade iria nos acompanhar, eu sabia, porque ela já estava ali, junto com a dor.  Há quatro anos a louça espera um pouquinho antes de ser guardada. Isabela Costa Santos

Sem saber

    Sem saber o bem que me faz aquele senhor toca seu violão naquele mesmo local durante vários dias da semana. Sem saber quem sou aquele senhor me faz sorrir e gostar ainda mais de viver como vivo.  Sem saber que passo por lá, ao tocar e cantar aquelas velhas músicas aquele senhor me enche de alegria. E sem saber o nome daquele senhor desejo-lhe as melhores coisas da vida a cada vez que ouço sua voz e passo a sorrir no meio da correria. Às vezes é assim que fazemos a diferença na vida das pessoas: sem saber . Isabela C. Santos

Livros na estante

Sabe uma daquelas conversas longas com vendedores simpáticos pelo telefone? Aqueles vendedores que conseguem esgotar todos os recursos firmes e educados para dispensar os serviços que eles estão oferecendo até que a sua única resposta seja simplesmente "não" e você se segure para não complementar com "porque não"? Foi um desses vendedores que de tanto me perguntar o porquê e estrategicamente me tratar de modo aproximado fez com que eu pensasse (mais uma vez) sobre a vida e o quanto vivo num misto de ansiedade, esperança e há quem diga, calma.  Já havia dito que não tinha tempo para ler porque as coisas que eu tinha que ler me tomavam muito tempo, também falei que tempo me faltava nos finais de semana e que o serviço oferecido e todos os benefícios não me serviriam de nada porque eu simplesmente não conseguiria usufruir (não mencionei o fato de que R$ 2,90 é o preço do pão de queijo na lanchonete da faculdade e que gosto muito dele). Estava me justificando para ...