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Mostrando postagens com o rótulo Reflexão

"Chá"?

- Chá, chá! - dizia ele. - O que é "chá", meu amor? Mostra para a mamãe! - ela deu sua mão a ele, para que a guiasse como tantas outras vezes, mas chegando à cozinha e olhando ao redor, falhou. - Chá, chá! - continuava dizendo o pequeno, agora ao seu pai que, intrigado, observava o menino arrastar a cadeira para a cozinha. - "Chá"? - perguntou o pai, mais uma vez, enquanto o menino subia na cadeira para alcançar a bancada. - Chá! Chá! - exclamava o menino, enquanto retirava algumas bolachas de um pacote e colocava-as em um pequeno pote. Nem sempre as pessoas entendem tudo o que queremos dizer, embora muitas vezes as coisas nos pareçam tão claras. Isabela C. Santos

Pode ser?

Você viu quando segurei os teus cabelos? Você sentiu quando acariciei as suas costas? Percebeu como me aninhei junto ao teu corpo, como um lugar perfeito e aconchegante logo depois de mamar? Você ouviu o suspiro que dei enquanto dormia? Você observou os furinhos da minha mãozinha enquanto segurava o seu dedo e agarrava a sua blusa? Você viu o sorriso que dei enquanto te olhava da cadeirinha? Parece com aquele sorriso de quando você me dá bom dia.  Você sentiu o cheirinho dos meus cabelos e a textura da minha pele?  Olha, mamãe.  Escuta minha risada, guarda o meu sorriso, registra a sensação de tocar a minha pele tão macia e de me ter pequenino em teus braços. Eu vou crescer, mamãe. Meus pés ficarão bem maiores, minha risada irá mudar e eu terei muito o que admirar.  Aproveita, mamãe.  Sabe, você tem uma coisinha colorida e iluminada nas mãos, parece tão legal quanto o meu mordedor, mas às vezes te olho e você não me vê, te toco e você nem perceb...

E viveu a vida

Mais uma vez percebeu estar pensando demais na vida, demais no futuro. De que adianta traçar planos e pensar mais do que agir? Seu defeito era também sua qualidade: pensava demais, mas pensava muito bem. O problema não eram os planos, mas aquele ponta pé inicial para se fazer o que precisava fazer. Fez da terça-feira uma segunda, dia de começos e recomeços. Deixou de pensar demais na vida para viver a vida. Isabela C. Santos

Não perca

Reinvente-se, mude. Pense em novos planos, novos caminhos, novos sonhos. Conheça lugares, pessoas, pontos de vista: viva. Mas não se esqueça de quem você é, daqueles que te trouxeram até aqui, das coisas que te fizeram ser assim, do jeito que é, e ao mesmo tempo também ajudaram a desejar certas mudanças. Mas o novo não surge do nada, não nega completamente o que havia antes, pelo contrário, toma o que já existia como base para criação. Reinvente-se, mude, mas nunca perca a sua essência, aquilo que te faz ser quem é. Isabela C. Santos

Nem sempre

Talvez eu nunca compreenda de fato como o início do ano, as confraternizações, as viagens e os novos lugares podem nos dar essa sensação de recomeço, de esperança. Talvez eu não compreenda exatamente como as pausas podem nos fazer continuar. Talvez eu não entenda com detalhe muitas coisas, mas meu bem, talvez não seja necessário compreender cada detalhe para a vida fazer sentido. A beleza de uma árvore não deixa de existir porque não sei ao certo como ela se formou, tampouco um morango deixa de ser saboroso pela mesma razão. Nem sempre é preciso conhecer os detalhes. Nem sempre. Isabela C. Santos

Deixei em branco

Deixei em branco o último mês do ano, deixei em branco as páginas do diário dedicadas a falar sobre as coisas que tanto me incomodam. Simplesmente deixei em branco. Deixei em branco os espaços de agradecimento e das palavras de carinho. Calei-me. No silêncio me escondi esperando tudo mudar, torcendo para tudo passar, desejando logo o fim. E no fim dessa escalada terá mesmo uma ponte? Depois de tanto andar, deixando a vida em branco para não pensar - buscando ganhar a vida, que ironia -, terá mesmo uma continuidade para enfim preencher as páginas ignoradas? Subo uma montanha todos os dias e espero que em seu topo tenha uma ponte, para outra fase da vida, mas de que adiantará uma outra montanha, uma outra fase, se mais uma vez eu deixar tudo passar em branco? O que acontecerá quando enfim não houver uma ponte? Meu bem, simplesmente deixar passar é não existir, é não agir. Assistir um filme sem se dar conta da história, ler um livro sem nada ficar... É não permitir-se marcar, som...

E você nem tentou

Eu sei, você diz que não é possível. Eu sei, você acha mesmo que não é possível. Eu sei, você acredita que apenas em situação perfeitas e, portanto inexistentes, isto poderia dar certo. É, disso eu sei. Da outra coisa é que não sei. Calma, você não está me entendendo, né? Pois bem, você me diz que não dará certo e eu sei o porquê você me diz, conheço todos os pontos repetidos por aí, sabe bem que guardo discurso repetido e o quanto fujo dele, mas olha, a gente não sabe o que realmente aconteceria e sabe por quê? Porque você nem tentou e quando a gente não tenta as possibilidades de dar certo são mesmo 0. Isabela C. Santos

Assim

Estava refletindo sobre as coisas que me constituíram ao longo da vida e o quanto isto reflete na professora que desejo ser quando finalmente me formar. A conclusão meu bem, é que se as cores fossem possibilidades de experiências e conhecimento de si e do mundo em que vivemos, eu como professora gostaria de ser assim: E valorizar cada experiência minha e dos meus alunos, sabendo que na vida há muito para fazer e conhecer. Isabela C. Santos

Lá fora

Aqui dentro eu me arrumo no sofá, com coisas a fazer, sabendo que a noite será longa. Lá fora, o ar está úmido e gelado; a chuva cai.  O som da chuva sempre me encantou, sempre tornou mais gostosa a minha hora de dormir, aqui dentro.  Aqui dentro a chuva é o som das gotas no telhado. Lá fora é diferente, a chuva não é somente o som das gotas no telhado e o cheiro da terra e do asfalto molhado. Lá fora a chuva é água, e a água, costuma dizer aquele tio da piada do "é pá vê ou pá cumê", é molhada.  Aqui dentro da minha caverna com energia elétrica, telefone, gás e água encanada, a minha chuva é completamente diferente da chuva daquela pessoa que está logo ali, lá fora. Isabela C. Santos

Mais fácil não querer

Querer traz por si só o risco da frustração, o risco de não conseguir. Seria realmente bem mais fácil não querer. Então eu digo: mais fácil e mais seguro é mesmo não querer. Pode ser mais fácil, mas nem sempre o mais fácil traz bons resultados, não é? Estão aqui velhos conhecidos nossos para comprovar: Chapeuzinho Vermelho e os Porquinhos (não os três, apenas dois, você sabe o porquê). O mais fácil pode trazer armadilhas, fazer perder o encanto.  Querer é um encanto. O querer nos move. O querer nos faz enfrentar sentimentos, situações, lidar com diversas questões. O querer dá trabalho, não é fácil, mas nos faz pensar, traz para nós não apenas frustrações, mas sentir a vida. E ao vivermos somos tocados, sentimos. Mas o não querer, é passar pela vida sem senti-la. Isabela C. Santos

Um texto quase confuso sobre coisas e mudanças

Talvez você se lembre de um velho amigo cuja amizade já não é a mesma, embora o carinho continue. Sabe, sobre isso que estou pensando: o quanto  as pessoas mudam  (e nisto estamos inclusos).  Geralmente observo as pessoas ao meu redor, mas acontece que sou pessoa também. Às vezes vemos tantas coisas da vida nos outros que esquecemos de nos incluir naquilo que aprendemos, de pensarmos em nós como seres humanos. Nós, seres humanos capazes não só de observar aquilo que os outros seres humanos fazem, mas também de fazer as mesmas coisas, coisas como mudar.  Iniciei dizendo que as coisas mudam, mas agora me coloco como um ser que muda constantemente, afinal, sou pessoa também.  Desejamos que as coisas mudem para a melhor e ao mesmo tempo que outras permaneçam da mesma forma, talvez queiramos congelar o tempo, mas não há para onde fugir: as mudanças estão aí. E agora quero lembrar-lhe daquele amigo. Seu amigo de infância, de adolescência ou de qualquer outra ...

Lembranças

O depois, meu bem, é um mistério. Aquela memória tão viva às vezes não corresponde ao momento atual. O não saber e a memória às vezes fazem viver em nós aqueles que já foram, aqueles que passaram por nós, sem dizer para onde iam, sem mandar notícias, indo do presente para as lembranças de pequenos momentos marcantes na vida. Isabela C. Santos

Poderia

Você sabe, poderia ter sido mais um dia como aparentava que iria ser, mais um final de semana chegando, como tantas outras coisas que poderiam, mas não foram.  Não foi apenas mais um dia, muito menos somente mais um final de semana. Dizem que as melhores coisas acontecem quando menos esperamos, em meio a tranquilidade. Mas a verdade é que as coisas podem acontecer a qualquer momento, às vezes até mesmo no meio da confusão: sabe como é, uma ponto de calma em meio há tantos acontecimentos. O que sei é que tudo pode acontecer a qualquer hora, meu bem. Quando suspeitamos, quando mais precisamos ou quando não esperamos.  Isabela C. Santos

Nem sempre

Quando tentou pela primeira vez e olhou o resultado logo pensou que poderia arrumar aquele simples detalhe e tudo ficaria maravilhoso, seria uma verdadeira superação, desde que aquele detalhe fosse corrigido. Tentou pela segunda vez e se deu conta de um erro gravíssimo que faria com que todo o planejado não acontecesse. Azar! Teria de recomeçar, pois com certeza tudo ficaria melhor quando arrumasse o detalhe da primeira tentativa e garantisse os outros. Aliás, ela se quer havia pensado que todo o resto pudesse ser perdido. Terceira tentativa, tudo deveria sair perfeito! Mas, ah... Que desastre ela encontrava a frente de seus olhos! Tudo estava pior do que a primeira tentativa e aparentemente bem pior do que a segunda poderia ter resultado! Uma verdadeira catástrofe. Bem, nem tanto. Aquele detalhe que ela tanto se esforçou para corrigir havia sido corrigido, mas não estava tudo perfeito. Todo o resto de que ela gostara tanto havia se perdido. Reparou finalmente que o que...

Seu nome era Mila

Antes que você continue lendo gostaria que soubesse que Mila não era , ela é . No entanto, gosto do tom de "seu nome era Mila". Você entende o que quero dizer com "tom"? Talvez seja algo como o clima do texto , o ar que envolve a história , gosto disso e espero que você não se incomode, pois é puro capricho e estilo, mas antes que eu perca o foco...  Mila era uma daquelas pessoas que você olha e se pergunta: "como ela consegue fazer tudo o que faz?" e logo em seguida, por não encontrar resposta, deixa a pergunta de lado. Pois bem, esta era Mila: sempre ocupada, sempre com muitas coisas a fazer e, consequentemente, sempre cansada (ao menos aparentemente).  Pensando bem, conheço muitas Mila's. Estão por aí... no transporte público de cidades bastante movimentadas principalmente: olhos cansados, sempre correndo, o rosto sério e preocupado, uma mochila grande e pesada (provavelmente com livros, garrafa d'água, blusa e guarda-chuva). Coisas a...

Uma pausa

Por fim a gente cansa, simples assim. Cansa dos mesmos problemas, das mesmas questões, das mesmas discussões, das mesmas situações, dos mesmos sentimentos. É, a gente cansa. Dá vontade de correr e deixar tudo pra trás, não dá? Dá. Mas sabe, não adianta. Ninguém foge disso. A gente pode enfrentar tudo e resolver, ou fugir. Mas enfrentar assim, cansada? Não, antes uma pausa. Preciso disso: a pausa para respirar na subida de uma escadaria gigante, respirar e tomar coragem, descansar para poder continuar. Deixe-me suspender essas questões, preocupar-me com outras discussões, viver outras situações. Permita-me viver um pouco diferente e eu resolvo tudo isso. Uma pausa, por favor. Isabela C. Santos

Duas décadas

    E então são 20. Vinte anos. Dos primeiros eu não me lembro, mas me contam. Lembro-me de alguns momentos, aliás, isso acontece com a minha vida toda. Nem tudo fica guardado, ou fica tão fácil de lembrar, talvez se alguém me perguntar... A primeira palavra que aprendi na escola (jacaré), a primeira estória que li (O Mágico de Oz), a maior arte que já aprontei (colocar a chave do armário do trabalho da minha mãe na tomada; ou foi andar de motoca com o vestido de dama de honra?), o que eu fazia na volta da escolinha (assistia Chaves), o que eu mais gostava que meu pai me preparasse (laranja com sal), do que eu sentia mais medo (escuro), o que eu fazia quando ficava muito assustada (corria para os meus pais) eu vá misturar o que eu realmente me lembro com o me contaram.      De uns tempos pra cá quando faço aniversário mais do que a indecisão na hora do parabéns (afinal alguém sabe o que fazer? Sorrir? Cantar e bater palmas também?) algo que me marca são as ...

Mentirinha social

    Renata acordou, espreguiçou-se e finalmente levantou. Um pouco de dor de cabeça, um pouco da cólica que dava o ar de sua graça todos os meses, uma imensa vontade de ficar em casa, dormir sem hora para acordar. Renata vestiu a roupa que sobrara no guarda-roupa, tomou o café da manhã correndo visualizando a lista de coisas que tinha para fazer (a metade da folha sulfite que ela havia separado para suas tarefas estava totalmente preenchida) e ficou um tanto desanimada. Escovou os dentes, lavou o rosto, passou o protetor solar, penteou os cabelos, calçou os sapatos que ganhara de natal no ano anterior, colocou ração e água nos potes de seu gato, Itálico. Finalmente saiu. Com mais cólica e dor de cabeça e a vontade de estar deitada aumentando, avistou a vizinha que havia lhe pego no colo quando era bebê. O que se seguiria ela sabia bem, a pergunta habitual que receberia a resposta  habitual (para dar essa resposta não precisava pensar, era só responder o que sempre se res...

Sobre a infância

    Não vou dizer que minha infância foi melhor do que a das crianças de hoje em dia. Não vou dizer que o bichinho virtual e o videogame me impediram de brincar de boneca, tomar banho de chuva, de mangueira, brincar de bexiga d'água (e depois ficar com peso na consciência porque em algum lugar do mundo alguém iria querer aquela água que eu estava jogando fora).      Não vou dizer que a televisão me impediu de brincar com caixas de leite enfileiradas que recebiam nomes e se tornavam meus alunos (coitados, levavam tantas broncas da professora impaciente!). Também não direi que deixei de andar de bicicleta (e levar uns bons tombos até aprender), ir no parque, de brincar com areia, brincar no escorregador, na balança, no gira-gira e colocar feijão no algodão porque tinha uma boneca que ria quando eu passava a mão.     A infância, de uns bons tempos pra cá, tem mesmo a cara de ser boa. A pretensão de ser a melhor parte da vida. As crianças de ...

Que tal fazer nada?

    De onde veio está ideia tão presente de que temos que fazer algo útil a todo o tempo? De que toda brincadeira tem que ser educativa (acredite, não é porque um adulto não preparou a brincadeira que  a faz deixar de ser importante), que o bom mesmo é estar aprendendo a todo o tempo? Onde foi parar o tempo de simplesmente fazermos nada? Aquele tempo em que observamos as coisas bobas como a sombra na parede ou o modo como as coisas estão organizadas (ou não)? Precisamos de tempo para nós mesmos, para fazer aquelas pequenas coisas que não terão utilidade para as outras pessoas e não mudará a vida de ninguém; talvez as nossas. Que mal faz relaxar, esquecer tudo o que nos cansa e nos estressa normalmente? Que mal pode nos fazer tentar viver levemente? Sim, não tenha dúvidas, estou defendendo que façamos nada de vez em quando. Fazer nada sozinhos ou com alguém. Observar a estante por observar não é nenhuma loucura.