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Mostrando postagens com o rótulo Para não perder o costume

Piscina de amor

Você cochilou agarrado no meu pijama, acordou e me chamou mexendo nos meus cabelos. Eu me virei, você sorriu e se aninhou perfeitamente em mim e eu respirei sentindo o perfume dos teus cabelos, sentindo-me em um daqueles momentos em que parecemos estar submersos em amor. Seu cheiro é amor, seu toque. O sorriso tímido, a risada banguela, as palavras sendo vagarosamente construídas nos teus lábios, os passos engraçados, os experimentos ousados... Tudo isso me envolve nesta piscina de amor. O amor mais puro, profundo e ao mesmo tempo dolorido. O amor que nasce do cuidado, da renúncia, da responsabilidade, da necessidade. O amor construído dia a dia enquanto você ainda nem se deu conta de quem é eu estou me reavaliando, reinventando, descobrindo que com você posso ter a força para ser quem você precisar que eu seja. E o mais puro amor evidencia-se na gratidão de tê-lo aqui, junto a mim. Isabela C. Santos

Pode ser?

Você viu quando segurei os teus cabelos? Você sentiu quando acariciei as suas costas? Percebeu como me aninhei junto ao teu corpo, como um lugar perfeito e aconchegante logo depois de mamar? Você ouviu o suspiro que dei enquanto dormia? Você observou os furinhos da minha mãozinha enquanto segurava o seu dedo e agarrava a sua blusa? Você viu o sorriso que dei enquanto te olhava da cadeirinha? Parece com aquele sorriso de quando você me dá bom dia.  Você sentiu o cheirinho dos meus cabelos e a textura da minha pele?  Olha, mamãe.  Escuta minha risada, guarda o meu sorriso, registra a sensação de tocar a minha pele tão macia e de me ter pequenino em teus braços. Eu vou crescer, mamãe. Meus pés ficarão bem maiores, minha risada irá mudar e eu terei muito o que admirar.  Aproveita, mamãe.  Sabe, você tem uma coisinha colorida e iluminada nas mãos, parece tão legal quanto o meu mordedor, mas às vezes te olho e você não me vê, te toco e você nem perceb...

Lembrarei de você todos os dias e ainda mais nesta data

Essa data. Sinceramente, nem é a data, são esses dias, antes e depois dessa data. Sempre me recordo de como foi tudo aquilo e do que senti. Apesar da dor ter dado lugar a saudade e a gratidão, esse ano me doeu por você não estar presente em tantas mudanças, tantas conquistas. Queria saber qual apelido você daria ao meu marido e ao meu filho, queria saber o que você diria no meu casamento, queria saber se você gostaria de ter um bisneto com o seu nome. Queria uma foto de vocês dois juntos, assim como nós temos uma foto. Mas é a vida, não é? Pra você essa questão sempre foi prática (ao menos aparentemente). Só queria que você estivesse vivendo tudo isso com a gente, mas também acredito que tudo tem uma hora e uma razão de ser, apesar de saber que essa vontade de te ter aqui disparando palavras rápidas de nervoso, assistindo televisão e fazendo ovos mexidos com farofa nunca vai passar. Também sei que sempre será assim: lembrarei de você todos os dias e ainda mais nesta data . Isabela ...

Reflexo no espelho

Levantei-me, arrumei o pijama no corpo, olhei-me no espelho. O reflexo parecia o mesmo: os olhos, a pele, os cabelos... Mas havia algo ali que não existia antes.  Estranhamente olhei para mim mesma como se fosse outra pessoa. Talvez até fosse. O que o meu eu do passado diria sobre mim agora? As mudanças foram tantas; foram muitas, realmente. Mas eu sabia que de algum jeito, apesar de tudo, eu ainda era aquela mesma pessoa de anos atrás. O que havia mudado era o modo de me colocar diante da vida, das pessoas, de tudo o que acontecia ao meu redor. O que havia mudado era a capacidade de dizer "não" ou responder com bom humor e em uma sacada rápida quando diziam algo para me atingir. Talvez toda a diferença que eu percebia era a coragem para ser quem sou e todo aquele afastamento do meu eu do passado fosse, na verdade, um encontro comigo mesma (que ironia). O afastamento era em aparências: em essência eu sabia que ainda era a mesma.  Mais um dia havia começado e a gratid...

Quando o simples não é mais tão simples

- Você pode ir embora, eu vou sozinha de ônibus. Esses daqui têm o piso baixinho, não têm degrau. Essa é apenas a primeira parte, sempre que concordo em voltarmos de ônibus ela diz até passar o ponto daquela velha rua que "se a gente quiser dá pra descer logo ali e andar uns dois quarteirões só para comprar umas coisinhas, não anda muito, é rapidinho". Não é rapidinho, anda muito, as pernas não aguentam tanto, a volta para a casa é longa e ela dificilmente descansa quando chega porque "tem que fazer o serviço de casa". Descansar, de onde ela vem, é entregar os pontos, dizer que está muito ruim. A beleza da rotina chega a doer quando ela se torna apenas uma lembrança distante, quando aquilo que era tão simples já não pode ser feito com a mesma facilidade, quando nos damos conta de que a vida muda. Sempre me pergunto o quão difícil é ter alguém o tempo todo ao nosso lado e ao mesmo tempo não ter; desejar a independência, mas também o cuidado; negociar com aqu...

Um momento

Praia do Engenho, Ilha Anchieta - SP     Viajei para belos lugares. Minha alma foi tomada por profunda paz e gratidão. Meus olhos foram encantados por tudo aquilo que avistaram ao redor. Tive vontade de não mais sair dali, de te trazer para o meu lado e poder dividir aquele sentimento de quando somos surpreendidos por tamanha beleza. Quis que a vida fosse somente coisas lindas como as que estava vendo e guardei aquele momento em minha memória com a vontade de revivê-lo, mesmo sabendo que não poderia,  pois nada do que vivemos se repete, seja bom ou ruim, cada experiência é única pelo que é. Isabela C. Santos

Chuva no telhado

Não fora o melhor final de semana de sua vida e tampouco o pior. Não conseguiu fazer tudo o que havia listado em sua agenda, mas fez o primordial. No final, não fora um dia muito diferente dos outros. Cristiane preparou um chá antes de ir para seu quarto: camomila era o chá do qual ela mais gostava. Tomou o chá para aquecer-se, deitou-se e, sem se dar conta, foi embalada pelo som da chuva. As gotas que caíam no telhado traziam lembranças dos dias de menina na casa dos bisavós. A chuva continuou caindo e, pouco a pouco, Cristiane encontrou o conforto e o aconchego que apenas alguns momentos são capazes de trazer. Isabela C. Santos 

Apesar de toda mudança

Meu bem, vou lhe dizer que descobri muito mais sobre mim do que sobre você. Disseram que não te conhecia, mas eu sequer sabia quem era eu mesma e nesse tempo pude descobrir quem sou, reinventar-me: abandonei velhos medos, mudei os meus porquês, e apesar de toda mudança me mantive firme para (embora possa parecer estranho) continuar sendo eu mesma. Pois se há algo que aprendi na vida é que precisamos também ser fiéis a nós mesmos. Isabela C. Santos

Não perca

Reinvente-se, mude. Pense em novos planos, novos caminhos, novos sonhos. Conheça lugares, pessoas, pontos de vista: viva. Mas não se esqueça de quem você é, daqueles que te trouxeram até aqui, das coisas que te fizeram ser assim, do jeito que é, e ao mesmo tempo também ajudaram a desejar certas mudanças. Mas o novo não surge do nada, não nega completamente o que havia antes, pelo contrário, toma o que já existia como base para criação. Reinvente-se, mude, mas nunca perca a sua essência, aquilo que te faz ser quem é. Isabela C. Santos

Deixei em branco

Deixei em branco o último mês do ano, deixei em branco as páginas do diário dedicadas a falar sobre as coisas que tanto me incomodam. Simplesmente deixei em branco. Deixei em branco os espaços de agradecimento e das palavras de carinho. Calei-me. No silêncio me escondi esperando tudo mudar, torcendo para tudo passar, desejando logo o fim. E no fim dessa escalada terá mesmo uma ponte? Depois de tanto andar, deixando a vida em branco para não pensar - buscando ganhar a vida, que ironia -, terá mesmo uma continuidade para enfim preencher as páginas ignoradas? Subo uma montanha todos os dias e espero que em seu topo tenha uma ponte, para outra fase da vida, mas de que adiantará uma outra montanha, uma outra fase, se mais uma vez eu deixar tudo passar em branco? O que acontecerá quando enfim não houver uma ponte? Meu bem, simplesmente deixar passar é não existir, é não agir. Assistir um filme sem se dar conta da história, ler um livro sem nada ficar... É não permitir-se marcar, som...

E você nem tentou

Eu sei, você diz que não é possível. Eu sei, você acha mesmo que não é possível. Eu sei, você acredita que apenas em situação perfeitas e, portanto inexistentes, isto poderia dar certo. É, disso eu sei. Da outra coisa é que não sei. Calma, você não está me entendendo, né? Pois bem, você me diz que não dará certo e eu sei o porquê você me diz, conheço todos os pontos repetidos por aí, sabe bem que guardo discurso repetido e o quanto fujo dele, mas olha, a gente não sabe o que realmente aconteceria e sabe por quê? Porque você nem tentou e quando a gente não tenta as possibilidades de dar certo são mesmo 0. Isabela C. Santos

Acalmou

De repente parei e olhei para o céu: parecia que ia chover.  Senti a brisa fria, respirei o ar fresco.  O dia estava apenas começando, mas com aquela visão tudo ia muito bem.  Foi o momento de pausa em meio à correria que acalmou: respirei.  Um olhar. Isabela C. Santos

Mais fácil não querer

Querer traz por si só o risco da frustração, o risco de não conseguir. Seria realmente bem mais fácil não querer. Então eu digo: mais fácil e mais seguro é mesmo não querer. Pode ser mais fácil, mas nem sempre o mais fácil traz bons resultados, não é? Estão aqui velhos conhecidos nossos para comprovar: Chapeuzinho Vermelho e os Porquinhos (não os três, apenas dois, você sabe o porquê). O mais fácil pode trazer armadilhas, fazer perder o encanto.  Querer é um encanto. O querer nos move. O querer nos faz enfrentar sentimentos, situações, lidar com diversas questões. O querer dá trabalho, não é fácil, mas nos faz pensar, traz para nós não apenas frustrações, mas sentir a vida. E ao vivermos somos tocados, sentimos. Mas o não querer, é passar pela vida sem senti-la. Isabela C. Santos

Louça acumulada

Uma pequena anotação encontrada em um dos meus cadernos com alguns toques atuais. E naquela noite lavei a louça diversas vezes. A louça que naquela casa nunca se acumulara sobre o escorredor formava uma pequena montanha. A louça estava acumulando. Era ele quem secava a louça enquanto ela ou algum outro alguém lavava. A louça não esperava: ele a secava e guardava imediatamente. Meu avô não estava lá e não iria voltar. Eu não mais o veria secar a louça e me perguntar se eu queria café. A saudade iria nos acompanhar, eu sabia, porque ela já estava ali, junto com a dor.  Há quatro anos a louça espera um pouquinho antes de ser guardada. Isabela Costa Santos

Sem saber

    Sem saber o bem que me faz aquele senhor toca seu violão naquele mesmo local durante vários dias da semana. Sem saber quem sou aquele senhor me faz sorrir e gostar ainda mais de viver como vivo.  Sem saber que passo por lá, ao tocar e cantar aquelas velhas músicas aquele senhor me enche de alegria. E sem saber o nome daquele senhor desejo-lhe as melhores coisas da vida a cada vez que ouço sua voz e passo a sorrir no meio da correria. Às vezes é assim que fazemos a diferença na vida das pessoas: sem saber . Isabela C. Santos

Livros na estante

Sabe uma daquelas conversas longas com vendedores simpáticos pelo telefone? Aqueles vendedores que conseguem esgotar todos os recursos firmes e educados para dispensar os serviços que eles estão oferecendo até que a sua única resposta seja simplesmente "não" e você se segure para não complementar com "porque não"? Foi um desses vendedores que de tanto me perguntar o porquê e estrategicamente me tratar de modo aproximado fez com que eu pensasse (mais uma vez) sobre a vida e o quanto vivo num misto de ansiedade, esperança e há quem diga, calma.  Já havia dito que não tinha tempo para ler porque as coisas que eu tinha que ler me tomavam muito tempo, também falei que tempo me faltava nos finais de semana e que o serviço oferecido e todos os benefícios não me serviriam de nada porque eu simplesmente não conseguiria usufruir (não mencionei o fato de que R$ 2,90 é o preço do pão de queijo na lanchonete da faculdade e que gosto muito dele). Estava me justificando para ...

Um cheiro, um momento

Fui até a cozinha colocar na pia o prato no qual estavam as torradas com margarina e a caneca com cappuccino, olhei a janela e vi o que pareciam gotas d'água. Em um segundo abri a janela e o vento fresco tocou meu rosto trazendo o cheirinho de garoa. Comecei a gritar para a minha avó: "Vó, tá garoando! Sente esse cheiro, amo esse cheiro! Vou abrir mais a janela!" Quando dei por mim estava observando o asfalto molhado, as gotas que caíam próximas a luz do poste e quase chorando. Fiquei surpresa porque quase chorei, não sei se por um medo inconsciente de que isso nunca mais acontecesse, de saudade ou por um sentimento nostálgico porque de algum modo aquele cheiro me trazia a sensação de um momento feliz, talvez fosse tudo isso junto. Pode até parecer exagero (e talvez seja esta a razão pela qual me surpreendi), mas há momentos que superam a razão. Falamos tanto que devemos reparar as coisas boas da vida, mas às vezes nem nos damos conta de como essas coisas podem nos to...

Um texto quase confuso sobre coisas e mudanças

Talvez você se lembre de um velho amigo cuja amizade já não é a mesma, embora o carinho continue. Sabe, sobre isso que estou pensando: o quanto  as pessoas mudam  (e nisto estamos inclusos).  Geralmente observo as pessoas ao meu redor, mas acontece que sou pessoa também. Às vezes vemos tantas coisas da vida nos outros que esquecemos de nos incluir naquilo que aprendemos, de pensarmos em nós como seres humanos. Nós, seres humanos capazes não só de observar aquilo que os outros seres humanos fazem, mas também de fazer as mesmas coisas, coisas como mudar.  Iniciei dizendo que as coisas mudam, mas agora me coloco como um ser que muda constantemente, afinal, sou pessoa também.  Desejamos que as coisas mudem para a melhor e ao mesmo tempo que outras permaneçam da mesma forma, talvez queiramos congelar o tempo, mas não há para onde fugir: as mudanças estão aí. E agora quero lembrar-lhe daquele amigo. Seu amigo de infância, de adolescência ou de qualquer outra ...

Do meu bloco de notas para vocês

Antes de mais nada devo dizer que achei este texto no meu bloco de notas de um celular antigo e não me reconheci. Quando o escrevi já escrevi como se fosse um outro alguém, e tempos depois o distanciamento foi ainda maior. Do meu bloco de notas para vocês. As paixões pedem tempo. Tempo para serem vividas, tempo para serem superadas.  Quando me senti pronta para amar outra vez, senti o amor dentro de mim. Era algo bom, que sabia que queria ser direcionado a outra pessoa.  Quando me senti pronta para amar, temi. Temi enganar-me buscando sentir tudo aquilo que já havia sentido e muito mais. Temi projetar em outra pessoa tudo de bom que estava querendo sair de mim. Ora, era isso mesmo que deveria acontecer, mas se acontecesse com a pessoa errada outra vez, traria sérias consequências.  Quando me senti pronta parar amar percebi que não havia uma escolha racional a ser feita: quem iria se submeter a tantos riscos por meio de pura racionalidade? Compreendi que precisa...

Rotina

Há um problema na rotina: ela costuma tirar a graça das pequenas coisas. Acabamos por nos acostumar com o caminho, com os corredores, as passagens, as paredes, os avisos, as pessoas, as plantas, os diferentes tipos de chão por onde pisamos, o modo como a luz bate nas coisas. Os detalhes não são mais vistos e o que antes chamava atenção e encantava é visto como algo normal, virou rotina. Mas basta olhar de novo, basta prestar atenção, que a graça volta. E o outro problema da rotina é quando ela simplesmente deixa de ser e leva com ela tudo aquilo que antes nos encantava sem que tenhamos aproveitado de tudo isso o quanto podíamos. Como pedido de uma estudante não tão perto de colar grau, mas também não tão distante, eu peço: rotina, não leve o encanto, deixe-o aqui enquanto esses detalhes fizerem parte do dia, para quando a rotina mudar eu me encantar com outros detalhes, tropeçar e ter preguiça da distância de outros caminhos. Isabela C. Santos