É engraçado como a rotina nos faz deixar de observar. Me lembro da primeira vez que fui para a faculdade (quando fui fazer a matrícula, acompanhada pelo meu pai): um caminho muito interessante, com casas bonitas, trechos com muitas árvores, boa parte do caminho em uma mesma avenida cheia de empresas de todos os ramos. Tudo isso era demais. O caminho era lindo. Bom, ainda gosto da rota, mas às vezes acabo percorrendo o caminho de forma automática, sem prestar atenção, até que olho para o lado e penso "Ei, essa casa já estava aí? Que jardim lindo! Será que consigo fazer algo parecido com isso no quintal lá de casa?" e percebo que estou perdendo minutos do meu dia entrando em "modo automático" durante o percurso da minha casa até a faculdade e da faculdade até minha casa. Perdendo a oportunidade de apreciar muitas coisas.
Estive pensando durante uma prova: o mais difícil é responder as questões ou pintar aqueles "quadradinhos" com a caneta? Além de não poder olhar para os lados com medo de que imaginem que estamos colando e ficarmos com dor no pescoço de tanto olhar para baixo, ainda temos que preencher aqueles torturantes "quadradinhos" no fim da prova! Isso enquanto "brigamos" com a pessoa da carteira de trás que insiste em invadir o nosso espaço embaixo da cadeira. Colocamos os pés para trás e a pessoa estica os pés para frente. Encontro de pés. Ao sentirmos os pés da outra pessoa, sentamos corretamente, sem esticar ou colocar as pernas embaixo da cadeira. É impressionante como os avisos impressos na folha do gabarito fazem eco em nossas mentes, algo como: Preencha CORRETAMENTE os quadradinhos. NÃO RASURE. NÃO RASURE. NÃO RASURE. NÃO ERRE. NÃO ERRE. NÃO ERRE! A preocupação é tão grande que os riscos de errarmos no preenchimento do quadrado são altas. ...
Comentários
Com o tempo a gente acaba acostumando com a visão a nossa volta, e até perde a graça.
Esses dias estou andando muito no modo automatico.