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E então?

    Juliana olhava ao redor, tentava encontrar as palavras certas. Será que elas existiam? Longas noites acordada pensando no que dizer, longos discursos ensaiados mentalmente com frases esclarecedoras e todas aquelas coisas que ela julgava ser de grande importância. Pobre Juliana! Suas mãos estavam frias, as pernas tremiam, o estômago estava estranho e os pensamentos brincando de dar piruetas em sua mente.     Ele a olhou e os poucos pensamentos que ela havia conseguido juntar conseguiram escapar feito balões de gás em mão de criança agitada, ela já não sabia de mais nada. Abriu a boca para falar, mas não conseguiu, calou-se. Ele a olhou como se dissesse "e então? Não vai dizer?" e Juliana sentiu um frio na barriga. Respirou. Por que ela foi mexer nisso mesmo?      Endireitou-se, segurou as mãos daquele que talvez já não aguentasse mais o seu silêncio, por fim falou:     - Sabe o que é? Você é lembrança boa, a música que sempre ...

É sobre mudança

    Hoje acabei pensando mais uma vez que as coisas mudam e, sinceramente, essa história de que as coisas mudam não é novidade para ninguém. Mudam aos poucos ou de uma hora para a outra, às vezes as mudanças acontecem bem a nossa frente e quase não nos damos conta, até que dá um estalo e pensamos "ei, isto não era assim, não há um tempo atrás, como isso aconteceu?!". Às vezes nos assustamos. Eu me assusto. É, vou falar por mim.     Ter a sensação de que tudo mudou sem que eu percebesse me faz pensar se presto a devida atenção às coisas ao meu redor. O que houve com os planos? As pessoas causam mudanças e se adaptam à elas, por vezes somos pegos desprevenidos e, poxa, o que podemos fazer, mais uma vez, além de nos adaptar? Às vezes resistir. Nem sempre, às vezes. São momentos planejados que não acontecem ou acontecem de modo completamente diferente do que imaginamos, pode ser que com menos intensidade ou menos proximidade. Quem sabe?     A grande su...

Na velha porta

    Era nosso dia, era quase nossa hora, era quase nosso lugar. Caminhei, observei as flores, as pessoas, algumas eu não conhecia, olhavam para os lados quando eu sorria (talvez estivessem pensando se aquele sorriso era mesmo para elas). Cheguei um pouco mais cedo, como era de costume, nos encontraríamos ali em frente a velha porta em um dos lugares mais lindos do parque (o que havia atrás da porta? Por favor, não me faça perguntas difíceis, era uma daquelas portas misteriosas que ninguém sabe o que esconde, como algumas pessoas tão fechadas quanto estas portas charmosas). Esperei cinco minutos. Finalmente não era apenas nosso dia, nosso lugar, mas também a nossa hora. Um, dois, três, quatro, mais cinco minutos e depois mais cinco, mais cinco, mais cinco e mais cinco. Cheguei mais perto e na velha porta havia um bilhete que dizia: Fui logo ali, volto já. Volto outro dia: no nosso dia, na nossa hora, no nosso lugar.  Isabela C. Santos

Um café, uma conversa

    O que vou compartilhar agora é um daqueles momentos especiais que ficam para sempre em nossas memórias por encontrar espaço em nossos corações. Ora, você sabe do que estou falando, não sabe? Pois bem, é simples!     Eliza estava com sua avó na cozinha: uma pausa em meio a correria, um tempo para conversar, ouvir sobre histórias do passado, conhecer mais sobre aquela com quem sua relação vinha se estreitando nos últimos anos e, claro, tomar um café, afinal Eliza e sua família sempre concordaram que café é uma das coisas boas da vida (uma das lições que o avô de Eliza deixou). Veja bem, essa situação toda já seria bastante especial, pela companhia, pelo moletom que Eliza usava (representando, claro, um dia de folga de tudo o que a estressava), pelo frio do lado de fora, mas as palavras da avó de Eliza fizeram aquele momento ser único, elas conversavam sobre o amor. Falavam sobre casais, falavam sobre a nec...

Viva, meu bem

    Ah, meu bem... Você não entendeu nada, não foi? Vou te explicar, vou ser direta: Sacode a poeira, minha querida. Ficar parada para que? Dizem que as coisas não mudam se não mudarmos, eu não dúvido. Continue, meu bem. Deixe pra trás, deixe pra lá: continue! Mas continue sorrindo, não sofra pelo que já passou nem pelo que pode vir: viva o hoje. Viva! De nada adianta viver levando, sem sentir, viver como se não vivesse. Viva, meu bem!   Isabela C. Santos

Uma pausa

Por fim a gente cansa, simples assim. Cansa dos mesmos problemas, das mesmas questões, das mesmas discussões, das mesmas situações, dos mesmos sentimentos. É, a gente cansa. Dá vontade de correr e deixar tudo pra trás, não dá? Dá. Mas sabe, não adianta. Ninguém foge disso. A gente pode enfrentar tudo e resolver, ou fugir. Mas enfrentar assim, cansada? Não, antes uma pausa. Preciso disso: a pausa para respirar na subida de uma escadaria gigante, respirar e tomar coragem, descansar para poder continuar. Deixe-me suspender essas questões, preocupar-me com outras discussões, viver outras situações. Permita-me viver um pouco diferente e eu resolvo tudo isso. Uma pausa, por favor. Isabela C. Santos

Por haver coisas assim

    São em noites assim, longas, onde mesmo cansada não consigo dormir, que as lembranças me fazem uma visita, com direito a chá, álbuns antigos e vídeos de família. São lembranças assim que trazem a saudade que não pode ser saciada porque há limites que não podem ser ultrapassados. E sei que algumas coisas me trazem com maior força essas lembranças; talvez o ursinho na minha cama, o meu cabelo curto, saber que existe o mês de setembro, o café, as novelas, a jaqueta no armário, a minha alergia, o seu óculos na gaveta do meu segundo quarto... a minha segunda casa. É por haver lembranças que trazem saudade que me dou conta do quanto muitas vezes não valorizei o presente, conta de quanto tempo desperdicei.     Ah, meu bem... Todo mundo já desperdiçou tempo na vida, não foi? Todos nos enganamos um dia, nos arrependemos, deixamos de estar presente em algum encontro e, no final das contas, nada preencheria o espaço daquele momento, nada teria sido melhor do que um últim...