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Mais fácil não querer

Querer traz por si só o risco da frustração, o risco de não conseguir. Seria realmente bem mais fácil não querer. Então eu digo: mais fácil e mais seguro é mesmo não querer. Pode ser mais fácil, mas nem sempre o mais fácil traz bons resultados, não é? Estão aqui velhos conhecidos nossos para comprovar: Chapeuzinho Vermelho e os Porquinhos (não os três, apenas dois, você sabe o porquê). O mais fácil pode trazer armadilhas, fazer perder o encanto.  Querer é um encanto. O querer nos move. O querer nos faz enfrentar sentimentos, situações, lidar com diversas questões. O querer dá trabalho, não é fácil, mas nos faz pensar, traz para nós não apenas frustrações, mas sentir a vida. E ao vivermos somos tocados, sentimos. Mas o não querer, é passar pela vida sem senti-la. Isabela C. Santos

Louça acumulada

Uma pequena anotação encontrada em um dos meus cadernos com alguns toques atuais. E naquela noite lavei a louça diversas vezes. A louça que naquela casa nunca se acumulara sobre o escorredor formava uma pequena montanha. A louça estava acumulando. Era ele quem secava a louça enquanto ela ou algum outro alguém lavava. A louça não esperava: ele a secava e guardava imediatamente. Meu avô não estava lá e não iria voltar. Eu não mais o veria secar a louça e me perguntar se eu queria café. A saudade iria nos acompanhar, eu sabia, porque ela já estava ali, junto com a dor.  Há quatro anos a louça espera um pouquinho antes de ser guardada. Isabela Costa Santos

Sem saber

    Sem saber o bem que me faz aquele senhor toca seu violão naquele mesmo local durante vários dias da semana. Sem saber quem sou aquele senhor me faz sorrir e gostar ainda mais de viver como vivo.  Sem saber que passo por lá, ao tocar e cantar aquelas velhas músicas aquele senhor me enche de alegria. E sem saber o nome daquele senhor desejo-lhe as melhores coisas da vida a cada vez que ouço sua voz e passo a sorrir no meio da correria. Às vezes é assim que fazemos a diferença na vida das pessoas: sem saber . Isabela C. Santos

Livros na estante

Sabe uma daquelas conversas longas com vendedores simpáticos pelo telefone? Aqueles vendedores que conseguem esgotar todos os recursos firmes e educados para dispensar os serviços que eles estão oferecendo até que a sua única resposta seja simplesmente "não" e você se segure para não complementar com "porque não"? Foi um desses vendedores que de tanto me perguntar o porquê e estrategicamente me tratar de modo aproximado fez com que eu pensasse (mais uma vez) sobre a vida e o quanto vivo num misto de ansiedade, esperança e há quem diga, calma.  Já havia dito que não tinha tempo para ler porque as coisas que eu tinha que ler me tomavam muito tempo, também falei que tempo me faltava nos finais de semana e que o serviço oferecido e todos os benefícios não me serviriam de nada porque eu simplesmente não conseguiria usufruir (não mencionei o fato de que R$ 2,90 é o preço do pão de queijo na lanchonete da faculdade e que gosto muito dele). Estava me justificando para ...

Um cheiro, um momento

Fui até a cozinha colocar na pia o prato no qual estavam as torradas com margarina e a caneca com cappuccino, olhei a janela e vi o que pareciam gotas d'água. Em um segundo abri a janela e o vento fresco tocou meu rosto trazendo o cheirinho de garoa. Comecei a gritar para a minha avó: "Vó, tá garoando! Sente esse cheiro, amo esse cheiro! Vou abrir mais a janela!" Quando dei por mim estava observando o asfalto molhado, as gotas que caíam próximas a luz do poste e quase chorando. Fiquei surpresa porque quase chorei, não sei se por um medo inconsciente de que isso nunca mais acontecesse, de saudade ou por um sentimento nostálgico porque de algum modo aquele cheiro me trazia a sensação de um momento feliz, talvez fosse tudo isso junto. Pode até parecer exagero (e talvez seja esta a razão pela qual me surpreendi), mas há momentos que superam a razão. Falamos tanto que devemos reparar as coisas boas da vida, mas às vezes nem nos damos conta de como essas coisas podem nos to...

Um texto quase confuso sobre coisas e mudanças

Talvez você se lembre de um velho amigo cuja amizade já não é a mesma, embora o carinho continue. Sabe, sobre isso que estou pensando: o quanto  as pessoas mudam  (e nisto estamos inclusos).  Geralmente observo as pessoas ao meu redor, mas acontece que sou pessoa também. Às vezes vemos tantas coisas da vida nos outros que esquecemos de nos incluir naquilo que aprendemos, de pensarmos em nós como seres humanos. Nós, seres humanos capazes não só de observar aquilo que os outros seres humanos fazem, mas também de fazer as mesmas coisas, coisas como mudar.  Iniciei dizendo que as coisas mudam, mas agora me coloco como um ser que muda constantemente, afinal, sou pessoa também.  Desejamos que as coisas mudem para a melhor e ao mesmo tempo que outras permaneçam da mesma forma, talvez queiramos congelar o tempo, mas não há para onde fugir: as mudanças estão aí. E agora quero lembrar-lhe daquele amigo. Seu amigo de infância, de adolescência ou de qualquer outra ...

Do meu bloco de notas para vocês

Antes de mais nada devo dizer que achei este texto no meu bloco de notas de um celular antigo e não me reconheci. Quando o escrevi já escrevi como se fosse um outro alguém, e tempos depois o distanciamento foi ainda maior. Do meu bloco de notas para vocês. As paixões pedem tempo. Tempo para serem vividas, tempo para serem superadas.  Quando me senti pronta para amar outra vez, senti o amor dentro de mim. Era algo bom, que sabia que queria ser direcionado a outra pessoa.  Quando me senti pronta para amar, temi. Temi enganar-me buscando sentir tudo aquilo que já havia sentido e muito mais. Temi projetar em outra pessoa tudo de bom que estava querendo sair de mim. Ora, era isso mesmo que deveria acontecer, mas se acontecesse com a pessoa errada outra vez, traria sérias consequências.  Quando me senti pronta parar amar percebi que não havia uma escolha racional a ser feita: quem iria se submeter a tantos riscos por meio de pura racionalidade? Compreendi que precisa...