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Um amorzinho

Dizem que quando a gente se torna mãe passa a ter só um assunto. Vou contar uma coisa: no meu caso isso não é tão longe da realidade.
Primeiro você descobre que está esperando um neném (e por mais que tenha noção não faz ideia da grandiosidade que isso significa), então passa a pesquisar sobre gravidez, o que se desenvolve em cada semana, os exames que devem ser feitos, os itens necessários para enxoval, o que ajuda na hora do parto e tenta se preparar para o que virá. É, a gente tenta.
Então o bebê nasce e a imersão que começou na gravidez se concretiza. A gente conta os intervalos das mamadas, das sonecas, comemora quando encontra o primeiro coco na fralda e se pega segurando uma coisinha que você nem acredita que saiu de você.
É, a vida muda completamente em meses.
E como deixar de falar do bebê? Não há como. Falar do bebê é aproveitar cada instante, é a chance de encontrar pessoas que passaram ou estão passando pelo que você passou. Falar do bebê é conseguir se entender nessa …

O dia de natal chegou

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Então o dia de natal chegou. Depois de muito te espiar, de te sentir, de tentar imaginar o seu rostinho e não conseguir, finalmente, o dia do seu nascimento chegou. E foi de uma hora para outra, sem sinais perceptíveis. Achei que seria um dia normal, mas não foi. Acho que é assim para muitas famílias, mas meu filho, neste momento me sinto única e especial por ter você, esse serzinho tão amável, em meus braços. 
Dizem que a maternidade é muito romantizada e de fato é, mas em busca da desromantização tenho visto não a apresentação de dois lados, mas um processo onde as dificuldades são reforçadas e as coisas boas ignoradas. 
Disseram-me que eu iria querer xingar teu pai: mentira, meu filho. Não iria querer xingar quem também teve papel fundamental para eu estar ali, para você existir. Disseram que meus seios iriam doer por conta da amamentação e, meu filho, mais uma vez, dói sim. Mesmo depois que você passou a abrir esse bocão lindo e fazer a pega correta, continua doendo. Mas meu amor…
Chegou aos 23 quase sem se dar conta. Conquistou alguns de seus sonhos quase num piscar de olhos (talvez sua sensação real fosse a de que aquelas conquistas haviam pulado em seu colo).
Longe de mim dizer que foi fácil, mas ao realizar alguns de seus sonhos era como se o caminho percorrido não lhe trouxesse lembranças de cansaço, mas a enchesse de gratidão.
Gratidão não é só um botão especial que aparece uma vez por ano no Facebook, mas um sentimento que nos invade e traz uma felicidade tranquila. Era isso o que ela sentia por seus 23 anos e todas as realizações: gratidão e felicidade por cada momento, cada coisinha, pelo caminho percorrido, por ter ao lado quem amava e por ser privilegiada de ter um presente se desenvolvendo até o dia (tão esperado) de seu nascimento.

Isabela C. Santos

Meu presente

Há tanto para me distrair: o som do grilo lá fora, o barulho do ventilador aqui dentro, a sensação ruim por ter tomado algo com o gosto nada agradável. Apesar das distrações só consigo pensar em como é você. Você, que chegou de surpresa e, apesar dos primeiros três segundos de medo total, trouxe-me uma nova perspectiva na vida, uma nova imagem de mim mesma e, de algum modo, uma certeza inexplicável de que tudo daria certo, de que eu poderia ficar em paz. A gratidão tem me tomado em vários momentos e, tudo bem eu tomar algo ruim por um tempo se isso irá te fazer bem, eu aceito enfrentar meu problema com agulhas se for para te ter aqui comigo, porque eu sei que você é um presente e que vai ficar tudo bem. Talvez haja quem não entenda a minha tranquilidade, mas meu bem, ela é puro amor. E mesmo sem te planejar, mesmo sendo surpreendida, desde o momento em que soube da sua existência tive medo de te perder, porque é horrível ganhar um presente e tê-lo arrancado de si em seguida. Então, e…

8 anos

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Em oito anos muita coisa pode mudar: o modo de ver a vida, o modo de falar sobre a vida, os assuntos relevantes, as pessoas importantes, os relacionamentos, o modo como nos colocamos diante dos outros, a visão sobre nós mesmos, o conhecimento que possuímos sobre nossos sentimentos... E isso é só o começo.
Em oito anos podemos passar por muitas reviravoltas, ou simplesmente (com muita luta), seguir nossos planos. Podemos, quase que de repente, dar-nos conta do que queremos para nossas vidas e nos ver em um lugar que jamais sonhamos. Talvez o novo lugar contribua para que mudemos a nossa visão de mundo, force-nos a sair da zona de conforto e quebrar um muro para podermos falar com os outros. Pode ser que "os outros" tornem-se "amigos".
Em oito anos, as reticências podem sumir e dar lugar ao nome do amor da sua vida. Pode ser que, coincidentemente, seja aquele seu amigo de infância. Amigo que antes a timidez não permitia nem mesmo chegar perto. Talvez os planos que u…

Reflexo no espelho

Levantei-me, arrumei o pijama no corpo, olhei-me no espelho. O reflexo parecia o mesmo: os olhos, a pele, os cabelos... Mas havia algo ali que não existia antes. 
Estranhamente olhei para mim mesma como se fosse outra pessoa. Talvez até fosse. O que o meu eu do passado diria sobre mim agora? As mudanças foram tantas; foram muitas, realmente. Mas eu sabia que de algum jeito, apesar de tudo, eu ainda era aquela mesma pessoa de anos atrás. O que havia mudado era o modo de me colocar diante da vida, das pessoas, de tudo o que acontecia ao meu redor. O que havia mudado era a capacidade de dizer "não" ou responder com bom humor e em uma sacada rápida quando diziam algo para me atingir. Talvez toda a diferença que eu percebia era a coragem para ser quem sou e todo aquele afastamento do meu eu do passado fosse, na verdade, um encontro comigo mesma (que ironia). O afastamento era em aparências: em essência eu sabia que ainda era a mesma. 
Mais um dia havia começado e a gratidão por …

Esta data

Esta data sempre me trará lembranças daquela noite e essas lembranças sempre me trarão a sensação de que foi ontem que tudo aconteceu. Datas têm o poder de nos fazer lembrar e as lembranças nos transportam no tempo. Eu sei, tudo muda, a vida segue. O modo como lidamos com o que sentimos também muda e as emoções que determinadas lembranças nos trazem também. Antes era apenas dor, a dor virou saudade, a saudade virou amor e gratidão. Tem coisa melhor do que sentir amor por alguém? Do que ser grato por ter sido tocado por uma vida? Eu sei, queremos eternizar tudo o que é bom, queremos prender, jamais deixar partir, mas isto não está em nossas mãos e apesar de não podermos segurar em nossas mãos aquilo que não queremos perder, depois de um tempo o que fica é a alegria de poder ao menos ter tido a presença de algo tão importante em nossas vidas.
Isabela C. Santos