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E então?

    Juliana olhava ao redor, tentava encontrar as palavras certas. Será que elas existiam? Longas noites acordada pensando no que dizer, longos discursos ensaiados mentalmente com frases esclarecedoras e todas aquelas coisas que ela julgava ser de grande importância. Pobre Juliana! Suas mãos estavam frias, as pernas tremiam, o estômago estava estranho e os pensamentos brincando de dar piruetas em sua mente.

    Ele a olhou e os poucos pensamentos que ela havia conseguido juntar conseguiram escapar feito balões de gás em mão de criança agitada, ela já não sabia de mais nada. Abriu a boca para falar, mas não conseguiu, calou-se. Ele a olhou como se dissesse "e então? Não vai dizer?" e Juliana sentiu um frio na barriga. Respirou. Por que ela foi mexer nisso mesmo?

     Endireitou-se, segurou as mãos daquele que talvez já não aguentasse mais o seu silêncio, por fim falou:

    - Sabe o que é? Você é lembrança boa, a música que sempre ouço, o filme que não canso de assistir.

Isabela C. Santos

Comentários

Marina disse…
Adorei! Pensei que ela ia pedir desculpas, algo assim. Gostei da fala dela *--*
Vulgo Emilie disse…
estava pensando se não já tinha comentado nesse post. sei lá, acho que vim aqui antes. e, bom, você sabe que o começo do conto engana? pensei que ela iria terminar o relacionamento. daí esse final. gostei.

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