Pular para o conteúdo principal

E então?

    Juliana olhava ao redor, tentava encontrar as palavras certas. Será que elas existiam? Longas noites acordada pensando no que dizer, longos discursos ensaiados mentalmente com frases esclarecedoras e todas aquelas coisas que ela julgava ser de grande importância. Pobre Juliana! Suas mãos estavam frias, as pernas tremiam, o estômago estava estranho e os pensamentos brincando de dar piruetas em sua mente.

    Ele a olhou e os poucos pensamentos que ela havia conseguido juntar conseguiram escapar feito balões de gás em mão de criança agitada, ela já não sabia de mais nada. Abriu a boca para falar, mas não conseguiu, calou-se. Ele a olhou como se dissesse "e então? Não vai dizer?" e Juliana sentiu um frio na barriga. Respirou. Por que ela foi mexer nisso mesmo?

     Endireitou-se, segurou as mãos daquele que talvez já não aguentasse mais o seu silêncio, por fim falou:

    - Sabe o que é? Você é lembrança boa, a música que sempre ouço, o filme que não canso de assistir.

Isabela C. Santos

Comentários

Marina Menezes disse…
Adorei! Pensei que ela ia pedir desculpas, algo assim. Gostei da fala dela *--*
Bird disse…
estava pensando se não já tinha comentado nesse post. sei lá, acho que vim aqui antes. e, bom, você sabe que o começo do conto engana? pensei que ela iria terminar o relacionamento. daí esse final. gostei.

Postagens mais visitadas deste blog

Querido e amado Pantufa

    Meu querido e muito amado cachorro de estimação,    Por saber que você é  um raríssimo cão que sente imenso prazer pela leitura , decidi desabafar meus sentimentos em relação a um certo costume seu atráves desta carta.     O fato é que me entristeço ao vê-lo rosnar em frente ao pote de ração quando percebe que estou perto do mesmo. Me entristeço ao ver que você, meu lindo "au-au", pense que quero roubar teu alimento. Ora, acredite! Eu não quero e nunca vou querer tua ração!     Veja bem, sei que existem pessoas que "gostam" de ração canina mas você deveria saber que não sou uma delas. Você me conhece a tanto tempo, desde que eu tinha cinco anos, já fazem dez anos que somos "irmãos"!     Embora ambos gostemos de algumas mesmas coisas, como a minha cama e minha mãe, nosso gosto culinário é um tanto diferente: gosto de beber o suco da laranja e você adora ser presenteado com o bagaço; adoro o me...

Sabe AQUELE quadradinho?

Estive pensando durante uma prova: o mais difícil é responder as questões ou pintar aqueles "quadradinhos" com a caneta?  Além de não poder olhar para os lados com medo de que imaginem que estamos colando e ficarmos com dor no pescoço de tanto olhar para baixo, ainda temos que preencher aqueles torturantes "quadradinhos" no fim da prova! Isso enquanto "brigamos" com a pessoa da carteira de trás que insiste em invadir o nosso espaço embaixo da cadeira. Colocamos os pés para trás e a pessoa estica os pés para frente. Encontro de pés. Ao sentirmos os pés da outra pessoa, sentamos corretamente, sem esticar ou colocar as pernas embaixo da cadeira. É impressionante como os avisos impressos na folha do gabarito fazem eco em nossas mentes, algo como: Preencha CORRETAMENTE os quadradinhos. NÃO RASURE. NÃO RASURE. NÃO RASURE. NÃO ERRE. NÃO ERRE. NÃO ERRE! A preocupação é tão grande que os riscos de errarmos no preenchimento do quadrado são altas. ...

Se todos soubessem voar

Se todos soubessem voar, eu ia acabar andando a pé mesmo, já que o medo de altura não me permitiria ficar a mais de 15cm do chão. Iriam haver congestionamentos em vários pontos do céu, já que deitados ocupamos um espaço maior; seriam criadas faixas diferentes para os aviões, pessoas e aves (mas estas sempre invadiriam as outras faixas); depois de muito pesquisar, nós criaríamos faróis que seriam mantidos no ar por máquinas semelhantes a helicópteros. Pensando bem, se todos soubessem voar, não iríamos mais precisar de aviões, nem de pilotos, aeromoças e os outros funcionários que contribuem para que esse enorme pedaço de metal possa voar e nos transportar com segurança e conforto. Seria um enorme problema essa história de todos saberem voar. O desemprego iria aumentar, humanos se chocariam com aves, e ninguém mais iria querer andar quando estivesse fora de casa, exceto aqueles que por medo de altura, jamais iriam querer voar. No fim deste texto, c...