Um dia de sol

    Gabriela sentou na janela de seu quarto com os pés apoiados no muro da varanda para tomar sol. Alguns anos atrás (mais ou menos uns cinco anos) Gabriela costumava fazer isso ao menos uma vez na semana. Veja bem, ela não se dava conta, não era rotina, não era planejado: apenas queria tomar sol e ia, assim como quando se deitava no chão em dias de calor para relaxar no piso frio. Há muito tempo Gabriela havia se esquecido de como isso era bom.

    Ela observou a paisagem, lembrou-se de como imaginava que seria morar do outro lado da avenida, onde haviam somente árvores, mato e animais. Sonhava que poderia construir uma casa na árvore, viver mais ou menos como o Tarzan, mas tinha medo. Não queria viver sozinha, tinha medo de cobras e do que mais pudesse encontrar. Teria comida, água? Como faria sem shampoo e tudo o mais que estava acostumada a usar? Não, não daria certo. Era um sonho muito mais bonito como um sonho, longe de se tornar real, mas guardado com carinho, bem escondido. 

    Pensou que talvez devesse ter pego uma garrafa d'água e voltou a observar. De um lado o lugar que antes tanto sonhou em ir e do outro, casas. Casas e mais casas. Uma árvore aqui e ali e uns matinhos que insistiam em crescer em pequenos espaços nas calçadas, algumas plantas nos vasos de sua casa e nas casas dos vizinhos. Alguns cachorros abandonados e, de certa forma, adotados por alguns moradores da rua. Sim, do lado de lá e do lado de sua casa haviam coisas iguais, mas totalmente diferentes.

    Deixou de pensar no seu sonho de criança. De repente deixou-se levar pelo som dos pombos, o barulho dos carros que vinham da avenida para sua rua, o latido dos cães e as conversas dos vizinhos. Isso lhe trouxe tranquilidade. Gabriela sentiu-se relaxada. Relaxada como há tempos não se sentia. Leve como nos velhos tempos, mas diferente. Já não era a mesma. Fechou os olhos, quis aproveitar o momento e... Levou um susto com o balde d'água que a vizinha jogou no quintal (o coração acelerado que o diga).

Isabela C. Santos

Comentários

Anônimo disse…
Ricardo certa tarde estava em seu trabalho, uma tarde nublada e sem movimento. A chuva começou com fortes e grossas gotas ao qual Ricardo começou a contemplar como rapidamente o pátio ficava molhado e como pinguinhos de água se espalhavam ao impacto com o chão, como se estivesse vendo aquilo em câmera lenta. E então Ricardo olhou para o céu, contemplando a chuva como um todo, como caia sobre as árvores que haviam ali perto. Foi então que ele parou para meditar como Deus é sábio, como as pequenas coisas contém uma beleza exuberante e simplória, quão grande é Deus e sua criação. Foi então que sua vida se iluminou como o brilho do sol, naquela tarde de chuva.
Gostei bastante do seu comentário/texto! Muito criativo.
Sou um pouco como Ricardo quando observo as pequenas coisas.Sem dúvida Deus caprichou nos detalhes, fez tudo com perfeição.
Esse raio de sol aparece tantas vezes em várias pequenas coisas, marcando momentos que muitas vezes são passados despercebidos.
Anônimo disse…
Embora este não seja meu nome, este Ricardo sou eu, apenas expressei em poucas linhas algo que me aconteceu a alguns anos atrás, algo normal, mas ainda assim notório o suficiente para ficar em minha memória. Coisas simples que naquela tarde notei não apenas com os olhos, mas com os sentimentos... que de tristeza se transformou em alegria naquele instante em que pude ver que Deus se faz presente em tudo a nossa volta.
Anônimo disse…
E muito obrigado. Até lhe peço perdão por ter usado um espaço todinho seu. Boa semana e fique com Deus.
Imagina! Amém, você também!

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