Duas décadas

    E então são 20. Vinte anos. Dos primeiros eu não me lembro, mas me contam. Lembro-me de alguns momentos, aliás, isso acontece com a minha vida toda. Nem tudo fica guardado, ou fica tão fácil de lembrar, talvez se alguém me perguntar... A primeira palavra que aprendi na escola (jacaré), a primeira estória que li (O Mágico de Oz), a maior arte que já aprontei (colocar a chave do armário do trabalho da minha mãe na tomada; ou foi andar de motoca com o vestido de dama de honra?), o que eu fazia na volta da escolinha (assistia Chaves), o que eu mais gostava que meu pai me preparasse (laranja com sal), do que eu sentia mais medo (escuro), o que eu fazia quando ficava muito assustada (corria para os meus pais) eu vá misturar o que eu realmente me lembro com o me contaram. 

    De uns tempos pra cá quando faço aniversário mais do que a indecisão na hora do parabéns (afinal alguém sabe o que fazer? Sorrir? Cantar e bater palmas também?) algo que me marca são as coisas que se passaram, tentar lembrar como estava a minha vida no ano anterior, o que eu imaginei que aconteceria no ano em que estou e depois lembrar de anos mais distantes. O que mudou? Além de alguns números serem mais bonitinhos do que outros, passarem mais credibilidade (a pequena diferença entre 18, 19 e... 20). São diferenças tão sutis! E relembrar o passado não tem nada a ver com deixar de viver o presente. 

    Como cheguei até aqui? Para onde quero ir? No futuro há surpresas, se nem mesmo as perguntas sobre o que aconteceu em minha vida eu consigo responder com certeza, quanto mais dizer que o que espero do futuro não mudará! Ano passado, o que eu diria a partir de aniversários? Ano que vem, qual será minha visão? As coisas mudam, tudo muda, algumas permanecem. Como o primeiro pedaço de bolo para a avó e as fotos atrás do bolo com a família, essas pequenas coisas são tão especiais. Gratidão, é a minha palavra de hoje. Gratidão a Deus por existir, por estar aqui, por ter quem eu tenho por perto, viver o que vivo.

Isabela C. Santos

Comentários

Marina disse…
Laranja com sal ♥♥♥♥ também amava, existe coisa mais gostosa??

Eu canto parabéns as vezes, sorrio, fico sem fazer nada. Esse é um grande dilema da vida, deviam escrever um livro "1001 maneiras de se portar na hora do parabéns", ia ser best-seller mundial no dia do lançamento.

Gostei do último paragrafo. Foi lendo e comentando, e quando cheguei no último, suas palavras fizeram agitar um "não sei o que" aqui dentro do meu peito. Acho que é algo como uma felicidade haha'

Parabéns pelo aniversário e pelos vinte anos, não sei quando foi, mas imagino que foi esses dias :)
Obrigada! :D
E fiquei feliz por agitar esse "não sei o que" dentro de você com minhas palavras!
Anônimo disse…
Bem, já me habituei a entrar aqui e não encontrar uma nova postagem de uma das minhas escritoras favoritas, mas é gostoso me surpreender as vezes com um novo texto sempre apreciativo como este que talvez seja o que elejo o melhor. Seu olhar e como descreve coisas tão sutis, coisas tão pequenas por vezes que a torna tão grande escritora ao meu ver. Parabéns pelo aniversário, por tudo que já viveu, que apreciou, que conquistou e parabéns por seu texto. Muito obrigado por compartilha-lo conosco, até mesmo com um simples anônimo como eu.
É sempre agradável visitar sua mente
Mesmo em dias não tão bons.

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