Não sei o nome dela

Talvez o nome dela fosse Maria, Cícera, Joaquina, ou qualquer outro. 

Fabiana estava sentada em um dos assentos preferenciais quando dona Maria/Cícera /Joaquina entrou no ônibus. Fabiana levantou e ofereceu o lugar à senhora, que gentilmente perguntou à moça se ela gostaria que segurasse sua bolsa. Fabiana agradeceu e entregou a bolsa. 

A senhora que não sabemos o nome iniciou uma conversa com Fabiana, que não estava lá em um bom dia, se é que você entende. Ela havia se atrasado por não ter enxergado o que estava escrito no letreiro do ônibus anterior, uma pena! 

Há horas em que urgências batem à nossa porta, a dela era marcar uma consulta no oftalmologista. 

 - Não é verdade? - A senhora olhava para Fabiana que aos poucos havia se distraído tentando enxergar o que havia do lado de fora da janela.

 - Desculpe... O que a senhora estava dizendo? 

 - Estava dizendo que as coisas mudam, moça! 

 - As coisas mudam... Isso é verdade. 

 - É sim! Não sozinhas, mas mudam... 

 - Dizem tanto isso, né? 

 - Dizem, mas é. Uma vez, numa dessas conversas que temos com desconhecidos no ônibus uma moça me disse isso. Sempre dizem. Mas essas conversas guardam a beleza da sinceridade. Pensa que às vezes as pessoas dizem coisas que não admitiriam sozinhas, simplesmente porque nunca mais verá aquela pessoa. Aliás, não sei o que aconteceria se reencontrássemos essas pessoas. 

- Verdade, também não sei. - Fabiana sorriu, teve a sensação de que estava tendo uma das conversas das quais a senhora se referia. 

- Pois é, é curioso. 

Isabela C. Santos

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