Maria

Maria era só mais uma moça como todas as outras, mas o que Maria não sabia é que todas as outras moças não eram iguais, o que fazia com Maria também não fosse.

Se Maria tinha alguma certeza quanto a sua própria vida era o fato de que era extremamente comum (a começar pelo nome). Do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, de volta a casa, logo indo para o trabalho, fim de semana ver os amigos, segunda voltar a tudo isso.

Mas se há algo que Maria não se dava conta a todo momento é que os detalhes a fazia única e se existe alguém que pode tornar uma vida única é o dono da própria vida.

Maria sempre se espreguiçava antes de acordar e quase nunca tomava algo mais do que um leite com café pela manhã, conversava com o gato antes de sair e sempre que entrava em seu carro dizia a si mesma que precisava limpá-lo. Se quiser saber, quando estava na posição de pedestre Maria corria para atravessar a rua (mesmo que o farol estivesse fechado). Dava bom dia aos conhecidos, sorria para as pessoas simpáticas, gostava de linhas e organização. Maria não se importava de deitar no chão, mas morria de medo de avião.

Maria era Maria, nada igual às outras Marias. Mesmo nos momentos mais banais, Maria era, afinal, ela mesma e ninguém mais.

Isabela C. Santos

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