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Meu presente

Há tanto para me distrair: o som do grilo lá fora, o barulho do ventilador aqui dentro, a sensação ruim por ter tomado algo com o gosto nada agradável. Apesar das distrações só consigo pensar em como é você. Você, que chegou de surpresa e, apesar dos primeiros três segundos de medo total, trouxe-me uma nova perspectiva na vida, uma nova imagem de mim mesma e, de algum modo, uma certeza inexplicável de que tudo daria certo, de que eu poderia ficar em paz.
A gratidão tem me tomado em vários momentos e, tudo bem eu tomar algo ruim por um tempo se isso irá te fazer bem, eu aceito enfrentar meu problema com agulhas se for para te ter aqui comigo, porque eu sei que você é um presente e que vai ficar tudo bem.
Talvez haja quem não entenda a minha tranquilidade, mas meu bem, ela é puro amor. E mesmo sem te planejar, mesmo sendo surpreendida, desde o momento em que soube da sua existência tive medo de te perder, porque é horrível ganhar um presente e tê-lo arrancado de si em seguida.
Então, eu te aguardo. Nessa longa espera com tantas coisas envolvidas, tantas mudanças e tantas pessoas querendo você, eu te aguardo. E por mais que diga "vou tentar pensar menos, para não ficar ansiosa", eu não consigo. É a versão adulta de esperar o dia de Natal para abrir os presentes: a gente espia, procura um jeito de olhar dentro da caixa, espera já não aguentando, e no dia explode de felicidade. E eu sei que quando você chegar a minha felicidade será maior do que a que me trouxe qualquer presente antes recebido.

Isabela C. Santos

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Isabela C. Santos

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